Crônica

O PREÇO DE SEU CONFORTO

De idas e vindas ao supermercado

HECTOR

HECTORHumor e bestagens

10/11/2021 08h58
Por: Redação
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ilustração insta @hector_cartunista
ilustração insta @hector_cartunista

Estava aqui lembrando de minhas idas ao supermercado quando criança. Eu gostava de ficar dentro do carrinho, até que as compras se avolumavam e eu tinha que sair do meu automóvel imaginário.

Lembro também dos sacos de papel estampados com as marcas do Paes Mendonça ou Unimar e que haviam empacotadores de compras que foram sendo gradativamente extintos. Hoje raramente aparece algum funcionário para ajudar o cliente e dar mais agilidade no processo.

Estes dias me deparei com dois caixas “self-service”. Ao lado deles um único “caixa humano” estava em funcionamento, acumulando maquiavelicamente uma pequena fila.

Enfim, uma moça simpática perguntou se eu pagaria no cartão e acabei utilizando o self-service. Ela, disposta, me ajudou a lidar com o equipamento que apesar da interface amigável tinha um ou outro porém.

Entretanto, a minha maior questão ao utilizar o equipamento não era em relação a sua usabilidade. Pensei nos empacotadores que sumiram e percebi que aquilo ali seria o início do fim dos caixas...

Alguns dirão que é a evolução natural. Eu me pergunto o que farão aquelas mães de família trocadas por um leitor de código de barras... Ou quando será nossa vez de sermos descontinuados como uma máquina obsoleta qualquer.

O lucro dos supermercados deve ser fabuloso, caso contrário não brotava um a cada esquina. A demissão de centenas, ou mesmo de milhares de pessoas, para que os clientes façam seu trabalho sem receber nada em troca, não farão menos milionários seus proprietários. Mas fará diferença pra cada desempregado que aumentará a massa de desfortunados cujo desespero, direta ou indiretamente, baterá a porta de todos nós.

O preço de meu “conforto” me pesou forte também na consciência.

Insta @hector_cartunista

 

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