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Delliana supera 215 mil votos e estabelece a maior votação da história do PSOL baiano

Com pautas da educação, do trabalho e das mulheres, professora de Ubaitaba ultrapassa em 55% o recorde anterior do partido, com “custo por voto” de cerca de 56 centavos

Por: Redação
05/10/2026 às 08h02
Delliana supera 215 mil votos e estabelece a maior votação da história do PSOL baiano

Professora da rede pública, Delliana (PSOL) percorreu a Bahia na campanha ao Senado com uma agenda construída a partir da vida real de quem trabalha. Confrontou a extrema-direita e deu voz a professores, trabalhadores e mulheres, sobretudo às mulheres negras, do interior e da capital, defendendo salário digno, escola pública e participação política sem abrir mão das bandeiras históricas da esquerda.

No domingo (4), essa trajetória se converteu em 215.190 votos, a maior votação individual da história do partido na Bahia, segundo a apuração com 100% das urnas apuradas. Única mulher entre os dez concorrentes, Delliana ficou na quinta posição, com 1,49% dos votos válidos. As duas vagas foram conquistadas por Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT.

A marca anterior pertencia a Kleber Rosa, que recebeu 138.610 votos na disputa pela Prefeitura de Salvador em 2024. Delliana ultrapassou esse resultado em 76.580 votos, uma votação 55,2% superior em números absolutos.

Antes de Kleber, o recorde era de Tâmara Azevedo, candidata ao Senado em 2022, com 119.307 votos. Delliana recebeu 95.883 votos a mais, superando aquela votação em 80,4%. Também em 2022, Kleber Rosa concorreu ao governo da Bahia e somou 48.239 votos.

Na eleição para o governo estadual, Ronaldo Mansur, também do PSOL, recebeu 27.243 votos. Delliana obteve 7,9 vezes esse número, com uma diferença de 187.947 votos.

A votação da professora supera ainda o total obtido pela federação PSOL/REDE na disputa para deputado estadual. Somadas todas as candidaturas e os votos de legenda, a federação alcançou 207.058 votos. Sozinha, Delliana recebeu 8.132 votos a mais.

Para deputado federal, a federação somou 87.171 votos. A candidata ao Senado teve 2,47 vezes essa votação. Em outras palavras, toda a chapa federal somou cerca de 40% dos votos de Delliana.

O resultado ganha outra dimensão quando relacionado às despesas de campanha. Levantamento com base na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra R$ 121.399,50 em despesas contratadas e o mesmo valor em despesas pagas pela candidatura de Delliana. Dividido pelos 215.190 votos, o montante resulta em um “custo por voto” de aproximadamente R$ 0,56.

A conta não mede o peso de cada real investido, já que uma votação depende de fatores que vão muito além dos recursos financeiros. Serve, porém, para ilustrar o contraste entre a dimensão alcançada pela candidatura e os meios com que ela foi construída.

O dado reforça um debate necessário sobre a valorização das campanhas de mulheres e a isonomia na distribuição dos recursos eleitorais. Quando uma candidatura feminina alcança resultado histórico com estrutura enxuta, cabe perguntar até onde ela poderia ter chegado com condições equivalentes às oferecidas a outras disputas.

Natural de Ubaitaba, Delliana levou sua experiência em sala de aula para o centro da campanha. Defendeu a valorização dos profissionais da educação, melhores condições de ensino e maior presença de mulheres nas decisões políticas.

Entre suas propostas estiveram a destinação de 10% do Produto Interno Bruto à educação e a isenção do Imposto de Renda para professores da educação básica. Na pauta trabalhista, defendeu o fim da escala 6x1, com jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso e sem redução salarial.

A votação também recoloca no centro do debate o lugar das mulheres na política. O fato de a única candidata entre dez concorrentes ter alcançado o recorde do partido mostra que candidaturas femininas majoritárias têm densidade eleitoral e capacidade de mobilização.

O desafio, agora, é transformar esse resultado em protagonismo duradouro. Isso passa por abrir mais espaço para mulheres à frente das chapas majoritárias e por garantir que trajetórias como a de Delliana encontrem sustentação política e estrutura para seguir crescendo para além do período eleitoral.

Ao longo do primeiro turno, Delliana se engajou na campanha pela reeleição do presidente Lula, associando sua candidatura ao projeto nacional do campo democrático e popular. Com a disputa presidencial levada ao segundo turno, em 25 de outubro, a professora seguirá mobilizada, levando às ruas as mesmas pautas que marcaram sua candidatura.

As comparações históricas consideram números absolutos de votos. As disputas têm regras e abrangências diferentes: a candidatura de Kleber à prefeitura ficou restrita a Salvador, enquanto as eleições estaduais alcançaram toda a Bahia. Em 2026, cada eleitor pôde escolher dois nomes para o Senado.

Os números de 2026 têm como base a apuração do TSE com 99,9% das urnas e podem sofrer pequenas variações até a totalização final.

Mesmo sem conquistar uma cadeira, Delliana rompeu a barreira dos 200 mil votos e estabeleceu uma nova referência eleitoral para o PSOL baiano, com uma campanha centrada na escola pública, nos direitos das mulheres e nas condições de trabalho. A votação de 2026 torna-se a marca a ser superada pelo partido nos próximos ciclos eleitorais.

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