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Delliana defende 10% do PIB para a educação e o fim da aprovação automática

Candidata do PSOL ao Senado pela Bahia apresenta agenda que vai da valorização dos professores ao fim da escala 6x1 e à taxação das grandes fortunas

Por: Redação
21/09/2026 às 16h18
Delliana defende 10% do PIB para a educação e o fim da aprovação automática

A candidata ao Senado pela Bahia, Professora Delliana (PSOL), apresenta as propostas que pretende defender no mandato, com a educação pública no centro da agenda: destinação de 10% do PIB ao setor, fim da aprovação automática e valorização dos professores. O conjunto de compromissos alcança também o trabalho, a justiça fiscal, a saúde, a segurança pública e os direitos.

A candidatura nasce na sala de aula. “A importância da educação é absoluta. Ela é uma forma de mobilidade social; foi através dela que saí da vulnerabilidade para ter uma vida decente”, afirma Delliana.

Natural de Ubaitaba, no interior da Bahia, Delliana é filha de uma técnica de enfermagem que criou quatro filhos praticamente sozinha e apostou na educação como caminho de mudança. Escolheu a Filosofia e se formou na Universidade Estadual de Santa Cruz, tornou-se professora e levou a experiência da sala de aula aos movimentos sociais, ao PSOL e ao Quilombo nos Parlamentos. É a única mulher na disputa pela vaga na Bahia.

EDUCAÇÃO

Delliana defende a destinação de pelo menos 10% do PIB à educação pública, patamar previsto no novo Plano Nacional de Educação, sancionado em abril, para ser alcançado em uma década. Para a candidata, é o financiamento que transforma a meta em escola funcionando. “Sem recurso, o direito à educação fica no papel e o professor fica sem condições reais de trabalhar”, afirma.

Na valorização docente, a candidata propõe a isenção do Imposto de Renda para os professores da Educação Básica e a garantia de que um terço da carga horária seja reservado ao planejamento pedagógico e às atividades extraclasse, como prevê a Lei do Piso. “Tempo de planejamento não é privilégio, é condição para que o aluno aprenda”, defende.

O fim da aprovação automática é outra bandeira. O Ideb 2025 mostra que a rede pública baiana não atingiu nenhuma meta nas três etapas avaliadas. “Não aceito o roubo de futuros. Quando um estudante passa pela escola sem ter assegurado o direito de aprender, estamos tirando dele a possibilidade de disputar uma universidade, um emprego e construir o próprio futuro em condições de igualdade”, diz.

A candidata propõe ainda a revogação do Novo Ensino Médio, reestruturado pela Lei 14.945, de 2024. “Uma reforma que interfere no futuro dos estudantes precisa nascer do chão da escola, com quem ensina e com quem aprende”, sustenta.

ECONOMIA

Delliana defende o fim da escala 6x1, com jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso e sem redução salarial. A proposta de emenda constitucional já foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro, e aguarda votação no plenário da Casa.

“A gente quer viver, mas a gente também quer ser feliz.” A frase resume o sentido da pauta para quem, como a candidata, convive na categoria docente com sábados letivos sem remuneração extra. “Tempo é o que a gente mais precisa para viver, e cada semana de espera pesa. Uma de Nós no Senado é mais uma voz para exigir que essa votação e outras como ela sejam priorizadas”, afirma.

Na justiça fiscal, Delliana propõe a taxação das grandes fortunas e a equiparação das alíquotas de fintechs e bancos. Hoje, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é de 20% para os bancos e de 12% para as fintechs de pagamento. “Quem vive de salário paga imposto todo mês. É justo que as grandes fortunas e as grandes instituições financeiras contribuam na proporção do que acumulam”, diz.

A candidata defende ainda a extinção dos cassinos online e a restrição às apostas eletrônicas, as bets. A procura por atendimento de saúde mental no SUS por dependência de jogos e apostas cresceu quase 140% entre 2018 e 2025, segundo o Ministério da Saúde. “Não dá para chamar de entretenimento aquilo que empobrece e adoece o povo”, afirma.

DIREITOS

Na saúde, Delliana defende a ampliação das equipes do Programa Saúde da Família com psicólogos, nutricionistas e educadores físicos, por meio das equipes multiprofissionais da atenção primária, as eMulti, e a valorização dos agentes de saúde. “A saúde começa no posto do bairro, e quem cuida do povo precisa ser valorizado”, afirma.

Outra proposta é integrar a atenção à saúde mental a políticas voltadas à população negra, à população LGBTQIA+ e aos servidores públicos. “Saúde mental é direito, e o cuidado precisa considerar a vida real de quem sofre com o racismo, com a LGBTfobia e com a sobrecarga no trabalho”, diz.

No atendimento especializado, a candidata defende a ampliação do cuidado em saúde LGBT+, com ambulatório específico, e um centro de acompanhamento terapêutico para pessoas neurodivergentes e suas famílias. “Cuidado não é favor, é direito. Nenhuma família deve peregrinar sozinha atrás de atendimento”, sustenta.

Em segurança pública, Delliana defende foco na inteligência contra o crime, na valorização dos policiais e na defesa dos direitos humanos, tratados como partes de uma mesma estratégia. “Segurança se faz com inteligência e com respeito, protegendo o povo e também quem trabalha para protegê-lo”, afirma.

Entre as medidas, a candidata destaca o uso de câmeras corporais pelos policiais, ferramenta que considera essencial para garantir transparência nas operações. A Bahia começou a implantar os equipamentos em 2024. “Câmera no uniforme protege o cidadão e protege também o bom policial”, diz.

Na proteção às mulheres, a Bahia registrou 102 feminicídios em 2025, o quarto maior número do país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. “A violência contra a mulher está cristalizada em nossa sociedade. É dever de todos nós combater. Todos”, afirma Delliana, que defende o fortalecimento da Lei Maria da Penha e o funcionamento 24 horas das delegacias da mulher.

Delliana defende a reforma agrária e a revisão da política de distribuição de terras no país, que, na avaliação da candidata, favoreceu a concentração fundiária e o monocultivo. Com foco no Sul da Bahia e na agricultura do cacau, a pauta se conecta a povos do campo, sem-terra, quilombolas e indígenas.

A candidata defende também a demarcação de terras indígenas e a certificação de comunidades quilombolas. Em agosto, a Fundação Cultural Palmares certificou nove comunidades baianas como remanescentes de quilombo. “Democracia plena inclui indígenas, quilombolas, marisqueiras e ribeirinhas”, afirma.

Da educação pública à justiça fiscal, do trabalho à saúde, à segurança e à terra, as propostas de Delliana formam um projeto que tem a renovação de quem decide como fio condutor. “A gente precisa mudar a cara do poder, a fotografia do poder”, afirma a candidata. Para ela, quem vive os efeitos das decisões precisa participar de sua construção. “Nada de nós sem nós”, resume.

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