
A candidata ao Senado pela Bahia Professora Delliana fez duras críticas à atual composição política do país durante entrevista ao Podcast Ponto X, apresentado por Erê Silva, nesta sexta-feira (7), em Itajuípe. Ao discutir a participação das mulheres na política e os desafios atuais, tema do programa, Delliana afirmou que “a gente tem um Congresso que é inimigo do povo” e defendeu uma renovação dos espaços de poder, com maior presença feminina, especialmente de mulheres negras.
Delliana destacou a baixa representatividade das mulheres no Senado e afirmou que, apesar de serem fundamentais nas bases partidárias e nas mobilizações sociais, as mulheres negras ainda encontram dificuldades para chegar aos espaços de decisão. Na disputa pelas duas vagas ao Senado na Bahia, incentivou o eleitor a considerar uma mulher em um dos votos e criticou a predominância de candidaturas de homens brancos e de grupos políticos tradicionais.
Na segurança pública, a candidata defendeu menos foco em operações policiais agressivas e mais investimentos em inteligência e formação policial. Delliana denunciou o que classificou como “extermínio da juventude negra” e questionou a diferença entre operações realizadas em bairros de classe média e nas periferias. Para ela, o enfrentamento à violência também exige escolas de tempo integral de qualidade, creches, esporte, cultura e outras políticas capazes de oferecer oportunidades aos jovens.
“O maior fantasma que temos hoje é o feminicídio”, declarou Delliana, defendendo o fortalecimento das políticas de proteção e uma presença maior das mulheres nos espaços onde são formuladas as políticas públicas.
No cenário nacional, Delliana criticou a extrema direita e a família Bolsonaro, citando a condução da pandemia e a fome, e reafirmou apoio ao presidente Lula, a quem atribuiu papel importante na defesa da soberania nacional e dos interesses econômicos do Brasil.
Ao analisar a Bahia, a candidata também fez críticas ao governo Jerônimo Rodrigues, principalmente nas áreas de educação, segurança pública e saúde. Delliana afirmou que estar no campo da esquerda não impede cobranças ao governo estadual e apontou problemas que, em sua avaliação, são resultado de mais de duas décadas de gestões do mesmo grupo político. Na educação, criticou a aprovação automática e defendeu maior atenção à qualidade da aprendizagem.
Delliana ainda reconheceu o papel histórico do PT, mas avaliou que algumas decisões do partido têm provocado distanciamento de sua militância de base. Ao falar das eleições de 2026, apresentou o projeto da Federação PSOL/Rede e reforçou que sua candidatura pretende ampliar a representatividade no Senado, colocando no centro do debate temas como direitos das mulheres, combate ao feminicídio, segurança, educação, redução das desigualdades e participação popular.