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Karin Koshima acredita em um cenário promissor para a centro-direita nas eleições de 2026.

Marqueteira já apontava para a vitória de Bolsonaro em 2018

Por: Redação
11/07/2025 às 18h42 Atualizada em 11/07/2025 às 20h53
 Karin Koshima acredita em um cenário promissor para a centro-direita nas eleições de 2026.

Entrevistador: Karin, seu artigo "O Caminho Aberto: A Força da Centro-Direita e a Pauta de Costumes como diferencial competitivo no Cenário de 2026" sugere um cenário promissor para a centro-direita nas eleições de 2026. Quais são os principais pilares que sustentam essa sua percepção?

Karin Koshima: Minha análise é fundamentada em uma observação aprofundada do eleitorado brasileiro através de pesquisas qualitativas, que me remetem às mesmas percepções de 2018. Naquele ano, eu já apontava para a vitória de Bolsonaro, o que muitos consideravam improvável. Sete anos depois, identifico um cenário notavelmente semelhante ao de 2018, que favorece a centro-direita e a pauta dos costumes. Há uma demanda latente por uma liderança menos confrontadora e mais unificadora, e a vulnerabilidade do atual governo em segundos turnos, a emergência de novas lideranças com baixa rejeição, e a força inquestionável das pautas de costumes e segurança pública são os principais pilares.

Entrevistador: Você menciona que o eleitor de centro-direita não está preocupado apenas com segurança pública e corrupção. Quais outras preocupações mobilizam esse eleitorado?

Karin Koshima: Exatamente. O eleitor da centro-direita não está preocupado apenas com os riscos de viver em uma sociedade dominada por facções e pela corrupção. Ele está apreensivo com a percepção de uma subversão dos valores familiares tradicionais e com o que entende como a subversão dos valores que sustentam o conceito de família. São pais e mães comuns assustados com a velocidade com que se impõe a aceitação de um novo "politicamente correto".

Entrevistador: Você traça um paralelo interessante com as eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro conseguiu capitalizar esse sentimento. O que Bolsonaro representava para esses eleitores na época?

Karin Koshima: Em 2018, Bolsonaro trazia alívio e gerava identificação, pois demonstrava que esses cidadãos não estavam sozinhos em suas dificuldades e incertezas, e se determinava a defendê-los. Esses eleitores, que à época eram erroneamente confinados a segmentos radicais , na verdade, eram e continuam sendo cidadãos comuns, assolados pela insegurança pública e apreensivos com a subversão dos valores familiares tradicionais.

Entrevistador: O artigo menciona que a polarização política tem gerado uma certa "fadiga" no eleitorado. Como a centro-direita pode capitalizar esse sentimento em 2026?

Karin Koshima: O Brasil contemporâneo é marcado por uma intensa polarização política, e já se nota uma crescente fadiga do eleitorado com essa dicotomia extrema. Essa conjuntura sugere uma demanda latente por uma liderança menos confrontadora e mais unificadora, oportunizando que uma candidatura de centro-direita capitalize esse sentimento. O objetivo principal da centro-direita, portanto, deveria ser consolidar o voto anti-Lula em torno de um único candidato competitivo.

Entrevistador: Falando em candidaturas, as pesquisas recentes indicam um cenário de competitividade acirrada. Lula tem uma alta taxa de rejeição. Como isso afeta o campo da centro-direita?

Karin Koshima: Sim, pesquisas eleitorais recentes, como a Quaest divulgada em junho de 2025, indicam um cenário de competitividade acirrada, com a centro-direita demonstrando considerável potencial para as eleições de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de sua base de apoio, enfrenta um cenário de empate técnico em um eventual segundo turno contra diversos nomes da direita e centro-direita. Sua alta taxa de rejeição (57% segundo a Quaest) o torna particularmente suscetível em um segundo turno, e essa consistência nos resultados sugere um espaço eleitoral mais amplo para a oposição, sem depender da força de um único desafiante.

Entrevistador: Apesar da inelegibilidade de Jair Bolsonaro, você aponta que sua influência permanece um ativo eleitoral considerável. Como um candidato de centro-direita ideal deve gerir essa influência?

Karin Koshima: A influência de Bolsonaro permanece um ativo eleitoral considerável para a direita, e seu endosso pode ser potente para um candidato de centro-direita, consolidando a base da extrema-direita. No entanto, a preferência da centro-direita por Tarcísio de Freitas em detrimento de Eduardo Bolsonaro, aliada às altas taxas de rejeição do ex-presidente (55%), indica que um candidato deve gerir essa influência com cautela. O perfil ideal seria aquele capaz de garantir o apoio implícito ou explícito de Bolsonaro, capitalizando sua base dedicada, sem, contudo, herdar os índices de rejeição associados aos seus aspectos mais polarizadores.

Entrevistador: Você menciona que a identidade da direita não está mais exclusivamente ligada à herança da ditadura militar ou a uma agenda econômica neoliberal. Qual é, então, a identidade prioritária desse eleitorado?

Karin Koshima: A identidade do eleitor médio que se autodenomina "de direita" está prioritariamente associada a posições conservadoras no campo dos costumes, como a oposição à união homoafetiva e à discussão de teorias de gênero nas escolas. Também é forte a ligação com a área de segurança pública, incluindo a defesa da redução da maioridade penal, da extensão do porte de armas e da pena de morte. Para um segmento significativo desse eleitorado, os valores sociais e culturais têm maior peso em seu cálculo eleitoral do que os debates tradicionais sobre política econômica.

Entrevistador: Nomes como Ratinho Jr., Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, todos governadores ou ex-governadores, exibem percentuais de rejeição significativamente inferiores aos de Lula e Bolsonaro. O que isso representa para a centro-direita?

Karin Koshima: Muitos desses indivíduos são governadores ou ex-governadores, o que lhes confere um perfil centrado em "gestão" e competência administrativa. Isso é altamente atrativo a um eleitorado mais amplo, pois eles exibem percentuais de rejeição significativamente inferiores aos de Lula (57%), Jair Bolsonaro (55%) e Eduardo Bolsonaro (56%).

Entrevistador: Para concluir, qual é o principal desafio para a centro-direita em 2026, considerando a diversidade de partidos e lideranças?

Karin Koshima: O principal desafio para a centro-direita reside na capacidade de congregar essas forças díspares, abrangendo partidos como Republicanos, União Brasil, Novo, e frações do PSD e PL, em torno de um nome único e amplamente aceitável. O candidato ideal de centro-direita deve ser ideologicamente conservador o suficiente para energizar e reter a base da direita, mas, simultaneamente, moderado o bastante para evitar a alienação do crucial eleitorado de centro ou a herança das altas taxas de rejeição associadas à extrema-direita. É um bom desafio. O sentimento da opinião pública é notavelmente semelhante ao de 2018, e quem melhor o compreender colherá a vitória. O fiel da balança será o candidato que melhor dialogar com a população sobre suas angústias e medos, exatamente como Bolsonaro fez.

Karin Koshima é Diretora executiva da K2 Pesquisa & Estratégia, especialista em Opinião Pública e pensamento estratégico para comunicação política, articulista política, Psicanalista e Psicóloga com especialização na USP, com vastos estudos acumulados acerca do comportamento dos eleitores. Mestre em Políticas Públicas pela  Universidade Federal da Bahia, é palestrante sobre o comportamento do eleitor e  posicionamento de imagem de políticos e figuras públicas. Trabalhou em todas as eleições nos últimos 25 anos, realizando pesquisas qualitativas e na área estratégica . Nas últimas 3 eleições (2020,2022 e 2024), atuou como coordenadora geral do marketing de campanhas majoritárias para prefeituras e senado.

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