
Existe um senso comum perigoso entre brasileiros de que cuidar da visão significa consultar o oftalmologista apenas quando surge a dificuldade para enxergar. Por trás desse conceito equivocado, existem doenças importantes que podem evoluir sem sintomas e comprometer de forma grave e permanente a capacidade visual se forem diagnosticadas tarde demais.
De fato, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traz dados que apontam para mais de 6 milhões de pessoas no Brasil com algum tipo de deficiência visual, mas mais alarmante do que isso é que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, 75% das deficiências visuais poderiam ser evitadas se fossem prevenidas, diagnosticadas e tratadas a tempo.
Para o médico oftalmologista Marcos Ávila, presidente do CBCO e um dos especialistas mais respeitados nos cuidados com a saúde ocular no Brasil, o cenário mostra a necessidade de mudar a noção de que realizar um exame para medir o grau dos óculos é um cuidado suficiente. "Na verdade, o grande problema é o que está por trás daquilo que a gente está examinando, por trás daquele grau de correção", afirma o especialista.
Cada vez mais relevante, o debate foi tema recente de um programa da TV Câmara e, durante a entrevista, Ávila destacou que a avaliação feita pelo oftalmologista pode identificar problemas como catarata, descolamento de retina, retinopatia diabética, glaucoma, entre outros.
Glaucoma ameaça a visão dos brasileiros
Atualmente, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) estima que cerca de 1 milhão de brasileiros tenham glaucoma, mas o que preocupa ainda mais é a probabilidade de que 70% deles ainda não tenham sido diagnosticados diante da ausência de sintomas no estágio inicial.
Para Marcos Ávila, muitas pessoas procuram o oftalmologista apenas quando sentem alguma alteração. Assim, como muitos problemas de visão têm caráter assintomático durante parte de sua evolução, o diagnóstico pode vir tardiamente. "O brasileiro precisa consultar o oftalmologista como parte da rotina, mesmo sem sentir nada", ressalta.
Visão também é preocupação na infância
Ainda que alguns dos problemas oculares tenham relação com o envelhecimento, é importante frisar que o acompanhamento deve começar cedo. Como Marcos Ávila pontua, a consulta deve acontecer ao longo de diferentes fases da vida, da infância ao envelhecimento. Isso porque a avaliação com o especialista pode identificar alterações que interferem no desenvolvimento visual.
Já na vida adulta e na terceira idade, o papel do acompanhamento se volta para o monitoramento de doenças como o glaucoma, diabetes e a degeneração macular relacionada à idade. Diante disso, Marcos Ávila reforça que ampliar o acesso ao cuidado ocular é fundamental para identificar precocemente quem apresenta alterações ou risco de perda visual. "Hoje podemos empregar novas tecnologias digitais para descobrir quem tem problemas e quem tem potencial para ficar cego para ser tratado", afirmou.
Por fim, o especialista lembra que a consulta com oftalmologistas deve ser parte da rotina de cuidados de saúde. "Não é preciso esperar a visão piorar para procurar o oftalmologista. O cuidado preventivo pode ser decisivo para preservar a visão", finaliza Marcos Ávila.
O contato direto com cinzas ou partículas maiores também pode provocar arranhões na córnea. "É importante não esfregar os olhos. Quando a partícula não sai facilmente, o ideal é procurar um profissional para fazer a remoção", completa o especialista.