Sábado, 17 de Outubro de 2026
24°C 28°C
Salvador, BA
Publicidade

Passivo ambiental já é aproveitado como fonte de energia

Setores de cana, pecuária e lixo urbano são apontados como fontes de combustível e renda para o Brasil

Por: Redação Fonte: Agência Dino
18/09/2026 às 18h56
Passivo ambiental já é aproveitado como fonte de energia
Crédito: Esquina.CC

Todos os dias, cada brasileiro gera, em média, entre 0,7 kg e 1,2 kg de resíduos sólidos, um volume que cresce junto com a renda e a urbanização, segundo dados históricos do Banco Mundial. Parte desse material, somada a resíduos agropecuários e agroindustriais, ainda é subaproveitada e, quando manejada inadequadamente, pode contribuir para emissões de metano — gás com potencial de aquecimento muito superior ao do CO₂. Na prática, o Brasil descarta diariamente um volume de matéria orgânica que, em vez de virar passivo ambiental, poderia estar circulando de volta pela economia como energia.

É esse descompasso que a indústria do biometano tenta corrigir, e é justamente esse o ponto de partida do estudo internacional "From Waste to Wheels: Turning Organic Waste into Renewable Fuel for Transport", encomendado pelo Instituto MBCBrasil. O biogás é produzido a partir da digestão anaeróbica de resíduos orgânicos, como vinhaça e torta de filtro da cana, dejetos animais e resíduos urbanos.

Após um processo de purificação, conhecido como upgrading, obtém-se o biometano, que pode substituir combustíveis fósseis em frotas pesadas ou ser injetado na rede de gás natural. A lógica é simples, mas pouco intuitiva para quem está fora do setor. O mesmo material que hoje custa dinheiro para ser descartado pode, com a tecnologia certa, passar a gerar receita.

No Brasil, o setor sucroenergético concentra boa parte desse potencial ainda não explorado. O país tem 345 usinas em operação, quase 92% delas na região Centro-Sul, e o potencial de biogás do setor sucroenergético é estimado em 41,4 bilhões de m³ por ano, mas menos de 2% desse volume é hoje aproveitado. Só o estado de São Paulo teria capacidade de gerar entre 8,5 e 15,5 bilhões de Nm³ de biometano por ano, conforme o mesmo levantamento. A distância entre o potencial estimado e o que de fato sai do papel evidencia que a ampla disponibilidade de matéria-prima, por si só, não é suficiente: transformar esse potencial em escala comercial depende também de infraestrutura, investimentos e políticas públicas.

Para José Eduardo Luzzi, presidente do conselho do Instituto MBCBrasil, o argumento que sustenta esse mercado vai além do combustível em si. "As histórias mais fortes não são sobre combustível, são sobre transformar passivos ambientais em ativos econômicos", afirma.

Para ele, o biometano tem a particularidade de atacar três frentes ao mesmo tempo. "O combustível enfrenta simultaneamente as mudanças climáticas, as emissões de metano e a gestão de resíduos". É uma forma de dizer que o biometano não compete apenas com o diesel na bomba; ele compete com o custo de não fazer nada: o de deixar resíduo apodrecendo em aterros, emitindo metano de graça.

Além do ganho climático, há um efeito local sobre a qualidade do ar. Comparado ao diesel, o biometano tende a reduzir emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado, poluentes associados a doenças respiratórias. É um benefício que tende a passar despercebido no debate público, mais concentrado nas metas globais de carbono do que no ar que se respira em cidades cortadas por corredores logísticos e frotas pesadas, mas que pesa diretamente sobre a saúde de quem vive perto de rodovias e polos industriais.

O Brasil reúne condições para ampliar significativamente sua produção de biometano, apoiado pela ampla disponibilidade de resíduos da agroindústria, da pecuária e da gestão de resíduos urbanos. Mas transformar esse potencial em escala comercial depende de um conjunto de condições.

O estudo aponta a importância de políticas públicas adequadas, acesso a financiamento e infraestrutura para ampliar a produção, a distribuição e o uso do biometano. Avançar nessas frentes será fundamental para que o país aproveite seus recursos disponíveis e consolide o biometano como uma solução para a descarbonização do transporte e para o desenvolvimento de novas cadeias de valor.

Stallion Motorsports
Mobilidade Há 3 dias

Stallion planeja competir com quatro carros em 2027

Equipe americano-brasileira encomenda três novos CUPRA León VZ TCR para ampliar sua operação na IMSA Michelin Pilot Challenge, com previsão de oito pilotos em sua segunda temporada na competição.

ABAC
Mobilidade Há 1 semana

ABAC avalia possível desempenho dos consórcios em 2027

Um diagnóstico mais real será possível a partir da definição das eleições do futuro presidente e quais medidas poderão ser tomadas para corrigir e alinhar a rota econômica

Divulgação/Webmotors
Mobilidade Há 1 semana

Webmotors escala Caio Castro como novo embaixador da marca

Parceria de longo prazo com ator e piloto inaugura nova fase da comunicação do maior marketplace automotivo do Brasil e foi revelada nas redes sociais após ação que combina mídia exterior, creators e conteúdo digital

Instituto Livre de Assédio
Mobilidade Há 1 semana

Projeto amplia segurança e renda para entregadores

Selecionado pelo iFood Chega Junto, projeto do Instituto Livre de Assédio, vai capacitar 500 pessoas em Salvador e Olinda, com foco em inclusão produtiva, capacitação digital, geração de renda e ambiente de trabalho seguro e acolhedor no delivery

Imagem gerada por IA
Mobilidade Há 2 semanas

Fator humano integra a gestão de riscos no transporte

Cansaço, jornadas extensas e pressão por produtividade podem alterar a atenção, o tempo de reação e a tomada de decisão ao volante. Especializada em gerenciamento de riscos para o setor de transporte, a GR Parceria explica de que maneira as condiç...

Lenium - Criar site de notícias