Sexta, 11 de Setembro de 2026
23°C 26°C
Salvador, BA
Publicidade

Baixa visão na infância: especialista alerta para diagnóstico precoce

Perda visual precoce poder interferir no desenvolvimento da criança

Por: Redação Fonte: Agência Brasil
11/09/2026 às 12h36
Baixa visão na infância: especialista alerta para diagnóstico precoce
© Bruno Peres/Agência Brasil

Ao contrário do que muitos pensam, a visão na infância é considerada fator de suma importância para o desenvolvimento global da criança, incluindo o motor, o cognitivo, a comunicação e o social .

A perda visual precoce pode interferir não apenas no aprendizado escolar, mas em todo o processo de desenvolvimento da criança. Nesses casos, quanto mais cedo a intervenção, maior a chance de usar a chamada visão residual para desenvolver estratégias funcionais para o futuro.

O alerta foi feito pela oftalmologista Maria de Fátima Neri, que participa, em Salvador, do 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que termina neste sábado (12). A médica destacou que, quando se fala de baixa visão na infância, não se trata de uma simples diminuição da acuidade visual.

“A baixa visão pode comprometer a percepção visual, a exploração do ambiente, o desenvolvimento motor, a aprendizagem, a comunicação, a autonomia e a participação dessa criança no mundo”, disse. “Precisamos avaliar e entender o que a criança faz com o resíduo visual que tem.”

Segundo Maria de Fátima, dentre as principais causas de baixa visão na infância figuram:

  • retinopatias causadas por infecção por sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus;
  • catarata congênita;
  • glaucoma congênito;
  • anomalias do nervo óptico;
  • albinismo;
  • distrofias hereditárias da retina;
  • alta miopia;
  • doenças neurológicas;
  • deficiência visual cortical ou cerebral;
  • prematuridade.

A oftalmologista reforçou que, além do diagnóstico, é preciso avaliar as funções visuais da criança, incluindo a acuidade visual, além de entender, junto aos pais, o que ela consegue fazer e como a baixa visão interfere nas atividades diárias.

Na investigação junto com a família, a seguinte investigação deve ser feita:

  • A criança reconhece rostos?
  • Consegue localizar objetos?
  • Consegue brincar com autonomia?
  • Como ela se comporta em diferentes condições de iluminação?
  • O que ela deixou de fazer por causa da baixa visão?

Os sinais de alerta, segundo Maria de Fátima, incluem:

  • A criança não acompanha objetos.
  • Não fixa os olhos ou mantém pouca fixação.
  • Aproxima excessivamente objetos dos olhos.
  • Esbarra ou tropeça com frequência.
  • Tem dificuldade em ambientes poucos iluminados.
  • Apresenta fotofobia ou busca intensa por luz.
  • Demonstra dificuldade para reconhecer pessoas e objetos.
  • Apresenta atraso no desenvolvimento sem causa definida.

O trabalho de habilitação, nesses casos, deve incluir áreas como estimulação visual funcional, recursos ópticos, recursos não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia e orientação familiar.

“O desenvolvimento visual está relacionado ao visual, mas também ao motor, ao cognitivo, à linguagem e à interação. A visão participa da construção de toda a experiência da criança. Por isso, alterações visuais importantes e não reconhecidas podem repercutir no desenvolvimento global dela”, avaliou a oftalmologista.

Segundo Maria de Fátima, encaminhar precocemente uma criança com baixa visão "não é apenas tratar a visão; é proteger o desenvolvimento, a autonomia e o futuro dela”.

*A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)

Lenium - Criar site de notícias