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Delliana repudia uso de corpos femininos em carreata de ACM Neto e defende mulheres nos espaços de poder

“Mulher tem que estar decidindo, não enfeitando campanha”, diz Delliana após carreata de ACM Neto

Por: Redação
30/08/2026 às 10h52
Delliana repudia uso de corpos femininos em carreata de ACM Neto e defende mulheres nos espaços de poder

A candidata ao Senado pela Bahia, professora Delliana (PSOL), repudiou o uso de duas jovens seminuas, com o corpo pintado nas cores da campanha, no carro de som que acompanhou a carreata de ACM Neto (União Brasil) ao governo do estado, na última sexta-feira (28/08), no bairro de São Cristóvão, em Salvador. Para Delliana, o episódio expõe uma prática política corriqueira: usar o corpo da mulher para chamar atenção, quando ela deveria estar decidindo os rumos dessa mesma política.

"Estamos na luta para que as mulheres consigam equiparação salarial, igualdade de oportunidades e ocupem os espaços de poder para construir um país no qual a vida seja preservada e valorizada. Não há como ser conivente com este tipo de exposição. Precisamos de mulheres nas principais cadeiras, decidindo os rumos do país, e não enfeitando a campanha dos outros", afirma a candidata.

A cobrança de Delliana vem com números. Mulheres são apenas 18% do Congresso Nacional: 15 das 81 cadeiras do Senado e cerca de 91 das 513 da Câmara dos Deputados. É o maior patamar da história e, ainda assim, uma fração muito distante da metade da população brasileira. Na Bahia, o desequilíbrio é ainda mais agudo: o estado está entre os oito do país com uma única candidata mulher na disputa ao Senado em 2026, e essa candidata é a própria Delliana.

Para a candidata, o problema não tem endereço partidário único. Ela questiona a chapa majoritária do PT na Bahia, formada por Jerônimo Rodrigues, Geraldo Júnior, Rui Costa e Jaques Wagner, sem nenhuma mulher, e cobra também o combate ao discurso sexista e machista que estrutura parte do campo da extrema-direita, do qual a carreata de ACM Neto é apenas um sintoma. Para Delliana, denunciar um lado sem cobrar o outro é meia luta.

Professora da educação básica, nascida em Ubaitaba, negra e única mulher na disputa ao Senado neste pleito, Delliana defende que sua candidatura representa o oposto do que foi exibido na carreata: presença política construída por trabalho, biografia e proposta, não por exposição do corpo. "Uma de Nós no Senado" segue sendo o mote de uma candidatura que se recusa a virar cenário de campanha alheia.

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