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Facilitação cresce no país ante complexidade dos negócios

A facilitação contribui para estruturar conversas, garantir equilíbrio de participação, tornar objetivos explícitos, organizar a tomada de decisão ...

Por: Aqui na Bahia Fonte: Agência Dino
22/06/2026 às 21h11
Facilitação cresce no país ante complexidade dos negócios
Crédito imagem: Magnific

Reuniões improdutivas, excesso de desalinhamentos, baixa escuta e dificuldade para transformar discussões em decisões concretas têm levado empresas brasileiras a buscar novas formas de colaboração. Nesse contexto, a facilitação vem ganhando espaço como uma prática estratégica para melhorar a qualidade das conversas, apoiar processos de mudança e ajudar grupos diversos a construir soluções de forma mais objetiva e participativa.

Segundo Marcelo Egéa, presidente da IAF Brasil (International Association of Facilitators), o crescimento do interesse pelo tema está diretamente relacionado ao aumento da complexidade nas organizações. Para ele, já não basta reunir pessoas em uma sala " física ou virtual " e esperar que boas decisões aconteçam naturalmente.

"As empresas precisam criar condições para que grupos diversos consigam dialogar, pensar juntos e construir soluções de forma produtiva. A facilitação não existe para tornar reuniões mais agradáveis. Ela existe para ajudar grupos a tomar decisões melhores em um mundo cada vez mais complexo", afirma Egéa.

A facilitação tem raízes na psicologia social, na dinâmica de grupos e no desenvolvimento organizacional. Um dos principais marcos históricos está nos estudos de Kurt Lewin, nas décadas de 1930 e 1940, sobre comportamento em grupos, participação e mudança organizacional. A partir dos anos 1950 e 1960, essas ideias influenciaram o movimento de Desenvolvimento Organizacional. Já entre as décadas de 1970 e 1980, surgiram metodologias mais estruturadas voltadas a planejamento estratégico, resolução de problemas, inovação e tomada de decisão coletiva.

Como campo profissional reconhecido, a facilitação se consolidou internacionalmente a partir dos anos 1990, com o surgimento de metodologias contemporâneas, programas de formação, certificações e associações dedicadas ao tema, como a International Association of Facilitators (IAF).

Qualidade dos resultados

No ambiente corporativo atual, a prática aparece em processos de planejamento estratégico, gestão da mudança, inovação, desenvolvimento de lideranças, governança e construção de cultura organizacional. Para Egéa, esse movimento mostra que as organizações começam a compreender que a qualidade das interações influencia diretamente a qualidade dos resultados.

"Produtividade não depende apenas de esforço individual. Ela depende da capacidade das pessoas trabalharem juntas de forma eficaz. Muitas organizações ainda perdem tempo e energia em reuniões improdutivas, conflitos não resolvidos, desalinhamentos e retrabalho", explica.

Nesse contexto, a facilitação contribui para estruturar conversas, garantir equilíbrio de participação, tornar objetivos explícitos, organizar a tomada de decisão e transformar opiniões dispersas em encaminhamentos concretos. O resultado, segundo Egéa, é uma combinação difícil de alcançar sem método: mais participação e mais objetividade ao mesmo tempo.

A prática também ganha importância diante da diversidade social, regional e geracional do Brasil, somada a um ambiente de maior polarização. Para o presidente da IAF Brasil, a facilitação não tem como objetivo eliminar divergências, mas criar condições para que diferentes pontos de vista possam ser ouvidos, compreendidos e utilizados de forma produtiva.

"A polarização tende a reduzir a capacidade de escuta e aumentar a tendência de defender posições antes mesmo de compreender perspectivas diferentes. A facilitação ajuda grupos a sair da lógica do confronto e migrar para uma lógica de compreensão, colaboração e construção conjunta", detalha.

O avanço da tecnologia também reforça o papel estratégico dos facilitadores. Embora ferramentas digitais e sistemas baseados em inteligência artificial acelerem o acesso à informação, elas não substituem a construção de significado, confiança e compromisso coletivo entre pessoas.

"O trabalho híbrido cria desafios de alinhamento, pertencimento e colaboração. A inteligência artificial acelera a produção de informação, mas não substitui a construção de entendimento compartilhado. Quanto mais tecnologia temos, mais importante se torna a qualidade das interações humanas", diz Egéa.

Para a IAF Brasil, a facilitação tende a ganhar ainda mais espaço nas organizações que buscam aprender, inovar e se adaptar continuamente. Em vez de uma habilidade restrita a eventos ou reuniões específicas, ela passa a integrar a forma como lideranças e equipes constroem decisões, enfrentam mudanças e transformam conhecimento disperso em ação coordenada.

Rawpixel/Magnific
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