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Reforma tributária altera estratégias de exportação

A reforma tributária aprovada pelo governo federal introduz um modelo baseado em IBS e CBS, exigindo planejamento antecipado das empresas de comérc...

Por: Aqui na Bahia Fonte: Agência Dino
06/05/2026 às 22h52
Reforma tributária altera estratégias de exportação
Créditos: Creative Commons

A aprovação da reforma tributária marca uma mudança no sistema fiscal brasileiro e já mobiliza empresas que atuam no comércio exterior. Mesmo com parte das regras ainda em fase de regulamentação, muitos profissionais apontam que o novo modelo exigirá planejamento antecipado, especialmente de companhias inseridas em cadeias globais ou com atuação em commodities.

Nesse cenário, análises sobre o tema já indicam possíveis desdobramentos práticos. De acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a reforma tende a impactar diretamente a competitividade das exportações brasileiras, ao reduzir distorções tributárias e custos ao longo da cadeia produtiva, como detalhado em estudo sobre os efeitos da nova estrutura no comércio exterior brasileiro.

Esse contexto reforça um dos principais pontos de atenção para as empresas: a definição da carga tributária efetiva. Ainda não há clareza sobre a alíquota consolidada da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), nem sobre a forma como créditos e compensações serão aplicados em operações de importação e exportação.

"Ainda existe um nível relevante de incerteza sobre a carga tributária final e sobre a operacionalização dos créditos. Dependendo de como essas regras forem implementadas, pode haver impacto direto nos custos, sobretudo em setores que trabalham com margens mais apertadas", afirma Ana Amélia Tormin, CSO e diretora jurídica e de Compliance da Timbro, plataforma de comércio exterior do Brasil.

Outro aspecto que deve influenciar o ambiente de negócios é o fim gradual dos incentivos fiscais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para importação, previsto até 2032. Esses benefícios tiveram papel importante na definição de rotas logísticas, localização de centros de distribuição e atração de investimentos ao longo dos últimos anos.

Análises de consultorias especializadas apontam que mudanças na estrutura de incentivos fiscais devem levar empresas a revisarem estratégias operacionais e logísticas, especialmente em operações internacionais, como destacado em avaliação sobre os impactos da reforma no comércio exterior.

Com a mudança, a tendência é de maior equilíbrio concorrencial entre os estados, mas também de revisão de estratégias por parte das empresas. "A retirada desses incentivos tende a redesenhar decisões logísticas e operacionais. Muitas empresas precisarão reavaliar a localização de suas operações para manter eficiência e competitividade", explica a executiva.

No campo operacional, a transição para o novo modelo tributário deve exigir adaptações significativas em sistemas e processos internos. Plataformas de gestão empresarial, soluções voltadas ao comércio exterior, emissão de notas fiscais e integrações com parceiros comerciais devem passar por revisões.

A adoção de um modelo dual baseado em IBS e CBS, em linha com sistemas de imposto sobre valor agregado utilizados internacionalmente, tende a simplificar o ambiente tributário e aumentar a previsibilidade das operações, conforme apontado em análise sobre os impactos da reforma na internacionalização das empresas brasileiras.

Para Ana, experiências anteriores indicam que mudanças dessa magnitude vão além da área fiscal. "Transformações tributárias impactam toda a cadeia operacional. Isso inclui desde processos internos até a relação com fornecedores e clientes, inclusive internacionais, que também precisarão compreender as novas regras", diz.

Os efeitos da reforma também devem alcançar contratos comerciais. A tendência é que acordos de longo prazo, especialmente aqueles ligados à importação, exportação e revenda no mercado interno, passem a incluir cláusulas de revisão relacionadas à tributação. "Alterações na carga tributária e nos regimes de crédito podem afetar diretamente preços, margens e prazos. Antecipar discussões contratuais é uma forma de reduzir riscos e evitar disputas no futuro", conta.

Embora a implementação ocorra de forma gradual, a ideia é que as empresas iniciem o quanto antes a avaliação de impactos, a simulação de cenários e o planejamento de ajustes operacionais e contratuais. "Esse período de transição tende a ser desafiador, principalmente para empresas com atuação internacional. O comércio exterior envolve múltiplos agentes, diferentes regimes tributários e margens muitas vezes reduzidas. A adaptação a esse novo contexto exigirá organização e capacidade de resposta", avalia a especialista.

A expectativa é que, no longo prazo, o novo sistema contribua para simplificar o ambiente tributário. Até lá, a preparação antecipada deve ser um diferencial competitivo.

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